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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Era Uma Vez na América

Para alguns, a vida é uma simples progressão de acontecimentos corriqueiros que se sucedem com o passar dos anos. Para outros, isso é pouco.
Amigos leais, Noodles (Robert de Niro) e Max (James Woods) foram crianças de ascendência judia comuns do Lower East Side nova-iorquino no começo do século 20. Mas queriam mais. Primeiro o envolvimento com o crime. Depois, o controle de todas as ações criminosas da região: um verdadeiro império.
Dirigido pelo cultuado Sergio Leone, Era Uma Vez na América conta cinco décadas de ações criminosas e das vidas das pessoas por trás delas. Aclamado como um dos mais contundentes e melhores filmes de gângsteres da história do cinema. Um épico policial dramático e grandioso, com um elenco à sua altura.
Mais que uma história na América, um fragmento importante da própria história americana.Projeto gigantesco. Quase quatro horas de duração (na versão do diretor). Orçamento de trinta milhões de dólares. Cenários e figurinos de três épocas diferentes. Robert De Niro como ator principal.
Era Uma Vez na América, o último filme de Sergio Leone, foi um desafio em vários sentidos. Os produtores, receosos de um fracasso no mercado americano, reduziram o filme para pouco mais de duas horas e aí provocaram o que temiam: baixas bilheterias e críticas ruins. Leone conseguiu, então, distribuir o filme na Europa na versão original, e tudo mudou: excelentes críticas e bom faturamento.
Mais tarde, relançado nos cinemas dos Estados Unidos, em sua versão Era Uma Vez na América fez o sucesso que merecia. Um épico não poderia mesmo ter uma trajetória burocrática.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Pulp Fiction - Tempo de Violência


Três histórias são apresentadas de forma não cronológica. Numa, conhecemos Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), dois mafiosos que vão cobrar dinheiro. Noutra história, Vincent tem que levar a mulher do seu patrão (Uma Thurman) para se divertir enquanto ele viaja, mesmo com todos os boatos que rodeiam o caso. Por último, conhecemos Butch Coolidge (Bruce Willis), um lutador que deve lutar num combate com um vencedor já definido.Todas estas histórias têm algo em comum: falam todas de um mundo de crime, sexo, violência e drogas. Resumindo, estão garantidas mais de duas horas de pura diversão com o humor negro que só um gênio como Quentin Tarantino sabe oferecer. E como já é habitual no realizador, o filme não segue um fio cronológico linear. Opta em vez disso por contar as histórias sem um tempo de base definido, mas no entanto, nunca nos sentimos perdidos, pois no final tudo se encaixa perfeitamente bem.
O elenco é de luxo: desde a grande interpretação de John Travolta (que revitalizou a sua carreira), passando por Samuel L. Jackson, Christopher Walken, Bruce Willis, Uma Thurman, a portuguesa Maria de Medeiros, até ao pequeno papel de Tarantino. Todos eles estiveram tão bem nos seus papéis que é complicado destacar apenas um.
Estas interpretações de qualidade devem-se precisamente ao argumento e originaram momentos únicos, tensos, divertidos e memoráveis da história do cinema. Como exemplos, temos a famosa dança das personagens de Travolta e Thurman e Samuel L. Jackson a recitar uma passagem da bíblia que fala de vingança.
Todo o mérito do sucesso de Pulp Fiction é de Tarantino. Gastou apenas 8 milhões para fazer um dos melhores filmes de sempre e faturou mais de 200 em todo o mundo. É um excelente realizador e diretor de atores e filma como ninguém. Escolheu por diversas vezes cenas longas, mas que nunca se tornam cansativos. Outro ponto fortíssimo de Pulp Fiction é sua banda sonora, que encaixa na perfeição e nos mantém agarrados á cadeira até ao último segundo! Quem é que não se lembra da famosa: "Girl, You'll Be a Woman Soon" ou da música da famosa dança "You Never Can Tell"?Resumindo, Pulp Fiction é uma obra genial e impossível de definir numa só palavra. Foi igualmente o filme que revolucionou o cinema independente norte-americano e que definiu Tarantino como um dos melhores e mais originais realizadores de sempre.

Os Bons Companheiros

Baseada em fatos reais, esta é a obra-prima sobre a Máfia de Martin Scorsese, através dos olhos de Henry Hill (Ray Liotta), norte americano meio italiano, meio irlandês, e como ele se desenvolveu dentro da Máfia desde que foi criança. Um retrato extremamente violento da organização. O filme conta a trajetória de Henry e de seus dois amigos mafiosos Tommy (Joe Pesci) e James Conway (Robert De Niro). Eles são companheiros inseparáveis, e nem a máfia, o poder e as drogas parecem conseguir destruir essa amizade.
Garoto do Brooklyn, Nova York, que sempre sonhou ser gângster, começa sua "carreira" aos 11 anos e se torna protegido de um mafioso em ascensão. Sendo tratado como filho por mais de vinte anos, envolve-se através do tempo em golpes cada vez maiores. Neste período acaba se casando, mas tem uma amante, que visita regularmente. Não consegue ser um membro efetivo, pois seu pai era irlandês, mas no auge do prestígio se envolve com o tráfico de drogas e ganha muito dinheiro, além de participar de grandes roubos, mas seu destino estava traçado, pois estava na mira dos agentes federais.
Oscar de melhor ator coadjuvante (Joe Pesci).

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Os Intocáveis

A Chicago de 1930, dominada pelos chefões italianos, mais precisamente o Al Capone do homem de ouro do cinema, Robert DeNiro.
Seria apropriado chamá-los de justiceiros? Acho que sim. A ética no corpo policial é questionada quando, sozinhos, a polícia têm que desarmar todo um sistema corrompido.
Debate que parece inédito em tempos de "Tropa de Elite", quando Brian DePalma já o havia introduzido em "Os Intocáveis" de 1987. O banditismo entranhado na sociedade. Um homem com métodos ortodoxos, Sean Connery aqui no papel que lhe rendeu o Oscar, se alia à personificação da integridade e justiça na polícia, Kevin Costner.
Defino a presença de Connery: personagem interessante, grande referência em momentos cruciais da trama, tem presença e o eterno James Bond é carismático. As estrelas vão para a originalidade do roteiro de David Mamet, as peripércias com a câmera que somente DePalma consegue realizar (como o plano inicial onde Capone aparece fazendo a barba e cercado por seus cúmplices e a sequência eletrizante de Kevin Costner tentando salvar um bêbê dentro de um carrinho que desce escada abaixo em meio ao fogo cruzado).
Sem esquecer o grande Ennio Morricone e sua trilha excepcional, clássica e referência no universo cinematográfico.Participações relâmpagos de Andy Garcia e Patricia Clarkson. D
esde o início do projeto era intenção do diretor Brian De Palma que Robert De Niro fosse o intérprete de Al Capone. Entretanto, como o ator não estaria disponível na época das filmagens, o ator Bob Hoskins chegou a ser contratado para interpretar o personagem. Porém, quando De Niro conseguiu sua liberação para atuar em Os Intocáveis, De Palma resolveu por dispensar Hoskins e contratar De Niro para o papel.
As roupas utilizadas por Robert De Niro ao interpretar Al Capone são cópias idênticas das roupas verdadeiras que o gângster usava quando estava vivo.
Albert H. Wolff, o único integrante vivo dos verdadeiros intocáveis, trabalhou como consultor do filme, auxiliando o ator Kevin Costner em como Eliot Ness deveria ser caracterizado nas telas.