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quarta-feira, 25 de março de 2009

Casablanca


Casablanca é um clássico filme, vencedor de 3 Oscars, sendo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. Dirigido por Michael Curtiz. Um drama que conta a saga daqueles que tentavam fugir da Europa, ocupada pelos nazistas, para a tão sonhada América. O roteiro é baseado em peça teatral de Murray Burnett e Joan Alison.

Em plena Segunda Guerra Mundial, enquanto cidades são invadidas pelos alemães, duas pessoas conseguem viver um romance intenso e inesquecível em Paris. O que torna a história mais interessante é exatamente a impossibilidade deste amor continuar. O roteiro e os diálogos do filme dirigido por Michael Curtiz, em 1942, são perfeitos nesse sentido. llsa, interpretada pela bela atriz sueca lngrid Bergman, apaixona-se por Rick, o charmoso galã Humphrey Bogart, mas, em vez de fugir com ele de Paris, manda-lhe um bilhete de despedida na estação de trem. Ele parte sem entender o que havia acontecido. Tudo isso é contado em flashback.

Anos depois já em Casablanca, na Marrocos francesa, ela aparece com seu marido, o herói Victor Laszlo, interpretado pelo ator Paul Henreid, justamente no Rick's Bar, do qual o personagem de Bogart é dono. Eles estão à procura de um meio de fugir para a América. O sofrimento de Rick ao vê-la é inevitável e ela fica novamente dividida entre seus dois amores.

O final é realmente surpreendente. Mas o sucesso do filme, que até hoje continua ganhando muitos fãs de todas gerações, explica-se pela fórmula bem-dosada de romance, humor, intriga e suspense.O pano de fundo para o romance vivido por Rick e llsa não poderia ser mais tenebroso, com os estrondosos canhões nazistas que invadiam Paris.

Logo no começo do filme, dois soldados alemães são assassinados no trem e as suspeitas da polícia recaem sobre os traficantes de vistos de saída. Um deles é detido em pleno Rick's Bar e morto ao tentar escapar. 0 clima volta a ficar tenso quando o líder da resistência francesa Victor Laszlo desafia os nazistas cantando o hino da França, La Marseillaise.

No final do filme, o capitão Renault joga a garrafa de água Vicky no lixo num claro protesto contra o protecionismo francês.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Incrível Exército de Brancaleone



Este clássico do cinema italiano, retrata os costumes da cavalaria medieval através de uma demolidora e bem humorada sátira. A figura central é Brancaleone, um cavaleiro atrapalhado que lidera um pequeno e esfarrapado exército, perambulando pela Europa em busca de um feudo. Trata-se de uma paródia a D. Quixote de Cervantes.
O filme consegue ser hilário, mesmo na reconstituição dos aspectos mais avassaladores da crise do século XIV, representados pela trilogia "guerra, peste e fome". Utilizando-se sempre da sátira, o filme de Monicelli focaliza a decadência das relações sociais no mundo feudal, o poder da Igreja católica, o cisma do Oriente e a presença dos sarracenos.
Na sua autobiografia, L´Arte della Commedia , Monicelli revelou que o roteiro nasceu de uma sinopse sobre camponeses medievais e suas desventuras, mas o projeto foi abandonado quinze anos antes do filme, em 1950. Na tese de João André Brito Garboggini, o célebre autor conheceu a chamada "comédia italiana" nos anos 30, quando a crítica era refratária a este gênero. Porém, o seu Armatta Brancaleone nasceu quando a comédia chegou ao zênite na Itália e num contexto em que esse tipo de cinema não era tido meramente como arte "evasiva".
Na verdade, o que Monicelli se propõe no filme é a crítica pela sátira e a mais pura contestação política. Mais do que isso, segundo Garboggini, ao pesquisar sobre a vida do velho cineasta, o roteiro contém muitos elementos da vida de seu criador. Mario explicou ao professor que a tal história quixotesca da armada de Brancaleone é, na verdade, uma crítica aos líderes políticos que investem tanto numa causa que eles julgam como correta e vêem os seus sonhos se transformarem em nada, de verem as suas investidas recaírem num cúmulo de "furadas", como nos cômicos da película.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

As 7 Faces do Doutor Lao

Hoje em dia Steven Spielberg e George Lucas são sinônimos de diversão e entretenimento. São visionários e criativos. A seu modo nos contam um conto de fadas. E antes? Havia mais gente: Jack Arnold, Nathan Juran, Ray Harry Hausen e muitos outros.


Mas destes havia um que possuía uma mística, uma capacidade de nos transmitir uma lição de moral, sem estresses e de maneira adorável. Suas fábulas eram um misto de aventura, ficção, drama, questões adultas, porém, ao mesmo tempo infantil. A alegria, a decepção, o medo, a raiva e a tristeza eram trabalhados num misto de ingenuidade e genialidade. George Pal tinha a alma de Peter Pan: recusava-se a crescer o eterno menino que criou obras de vulto. Tentar comparar sua A Máquina do Tempo (1960) com a refilmagem de 2002 não tem sentido, posto que a segunda não possui sequer a mística da original.

As Sete Faces do Doutor Lao (Seven Face of Dr. Lao – 1964) nunca foi refilmado e dificilmente poderá sê-lo, pois tantas são as qualidades. Na modesta cidade de Abalone seus cidadãos estão diante de um dilema: vender suas propriedades para um rico fazendeiro. Um jornal local defende a permanência, mas está perdendo a causa. Surge então o Circo do Doutor Lao. Na verdade, do nada, pois nosso velhinho chinês chega num jumento.


Tony Randal interpreta o Doutor Lao, além de outros seis personagens (Merlin, Pan, Apolônio de Tiana, o Abominável Homem das Neves, a Serpente e Medusa). Tão polivalente quanto o sábio chinês, apresenta nossos pecados, nossas fraquezas. Não se amedronta diante do poderoso fazendeiro, ao contrário, convida-o e em seu circo conhece uma de suas faces (numa autoparódia). Ao final, incita os cidadãos a decidirem por seus destinos. Muita alegoria é empregada, inclusive quanto ao “dragão”, que apesar das constantes advertências, mais parece um girino num aquário que vive cuspindo para fora. Mas aí se dá a verdadeira magia de George Pal: se tudo não é o que aparenta ser, na verdade o que é o “dragão”? Os capangas do fazendeiro derrubam o aquário do bicho desaforado e na verdade descobrem que ele é... um gigantesco dragão!

Moral da história: nem tudo é o que aparenta ser, nem sempre aparentamos o que realmente somos, mas muito cuidado devemos tomar quando um sábio nos previne diante do mal e lhe damos as costas. RECOMENDO, mesmo porque em algum momento de nossas vidas, diante de um dilema, surge um velhinho chinês, que do nada, nos apresenta um circo em que somos as principais atrações!



sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Mary Poppins

Este é com certeza, um dos maiores clássicos da Disney em toda a sua história. “Mary Poppins” marcou várias gerações e, com certeza os mais velhos assistiram muito o filme nas matinês da sessão da tarde. Mesmo tendo envelhecido um pouco, a história da babá misteriosa de poderes mágicos que vai trabalhar na casa de um banqueiro para cuidar de um casal de filhos, e transforma a vida de todos com seu jeito diferente e mágico de fazer as coisas é, até hoje, fascinante.

Cada vez que Mary Poppins usa sua magia, tornando tudo mais divertido e colorido, somos embarcados em um mundo de fantasias onde tudo é possível, e ao som de muita música e dança. Muita mesmo, aliás essa é a única falha do filme, o excesso de números musicais, apesar de serem ótimos (a cena da dança nas chaminés é sensacional). Ainda assim o filme é ótimo. A sua parte técnica não deixa a desejar, com uma direção de arte fabulosa, fotografia e trilha sonora contagiantes, além de efeitos especiais muito bons para a época.


O elenco dá um show, Julie Andrews (em sua estréia nas telas) segura bem sua personagem, mostrando talento e carisma. Dick Van Dyke rouba a cena sempre que aparece na tela, com seu jeito cativante, e seus divertidos números musicais. As crianças Jane (Karen Dotrice) e Michael (Matthew Garber) são incríveis, encantam a todos. A trama é baseada no livro de P. L. Travers, e era um dos projeto que Walt Disney sempre quis fazer. Enfim, “Mary Poppins” é um filme inesquecível que marcou a infância de muita gente. Seria bom que as crianças de hoje também se deliciassem com canções tão divertidas como “Supercalifragalisticexpialidocious”. É um verdadeiro clássico infantil para toda a família ver.

Ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de 1965.

sábado, 19 de julho de 2008

Os Girassóis da Rússia

Marcello Mastroianni (de “A Doce Vida”) e Sophia Loren (de “A Queda do Império Romano”), a dupla dinâmica do Cinema Italiano que fez bastante sucesso entre as décadas de 60 e 70, gravou esse filme em 1969-70, dirigido por Vittorio de Sica (“Ladrão de Bicicletas”).Os três já haviam trabalhado juntos em 1963, em “Ontem, Hoje e Amanhã”.
A parceria entre Loren e Mastroianni perdurou por mais 5 filmes.No total, eles tiveram 12 trabalhos em comum (o primeiro foi em 1950 e o último em 94, dois anos antes da morte de Marcello) e foram, creio eu, grandes representantes do excelente Cinema Italiano pelo mundão afora.

Giovanna e Antonio, recém-casados, são separados quando, por artimanhas malucas do destino, ele é convocado pelas tropas italianas a partir para a Rússia em defesa de seus país, que enfrentava a Segunda Guerra Mundial.
Antonio vai e nunca mais dá notícias. Simplesmente desaparece sem deixar pistas: as forças armadas o consideram morto. Inconformada e crente de que seu marido não morreu, Giovanna vai à Rússia procurá-lo. Qual não é sua surpresa quando ela encontra Antonio, mas não seu marido.

“I Girasoli” foi gravado parte na Itália, parte na Rússia.Tem uma trilha sonora muito bonita e várias cenas memoráveis, como a que mostra Giovanna procurando, um por um, o túmulo do esposo num imenso campo de girassóis e as lindas cenas de despedida e reencontro das personagens.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Doutor Jivago


Épico baseado no romance homônimo de Boris Pasternak, Dr. Jivago virou fenômeno. As platéias se emocionaram com a história de um médico e poeta que inicialmente apoia a revolução Russa, mas, aos poucos, se desilude com o socialismo e se divide entre dois amores: a esposa Tania (Geraldine Chaplin) e a bela plebéia Lara (Julie Christie).

Jivago conhecera Lara no leito de morte de sua mãe, onde ela foi seduzida pelo desonesto e devasso amante da mãe, Victor Komarovsky (Rod Steiger). Mais tarde, ao vê-la entrar numa festa de casamento, Jivago percebe-se fuzilando Komarovsky, e começa a compreender seus sentimentos e o que ele vai carregar através de seu casamento. Mais tarde, Lara se casa com o jovem idealista Pasha Antipov (Tom Courtenay). As vicissitudes da história unem e separam Lara e Jivago diversas vezes. O labirinto de encontros e desencontros vai sendo reconstruído pouco a pouco e mostram a História como uma força moldada pelo homem que, por sua vez, é capaz de moldar a vida de cada indivíduo.
O Tema de Lara (Lara's Theme), composto por Maurice Jarre, virou um clássico do gênero. A visão poética de Lean oferece imagens inesquecíveis. São marcantes cenas como a da estrela vermelha brilhando sobre a entrada do túnel no qual entram e saem trabalhadores, outra em que uma criança surge através da vidraça gelada na qual os galhos batem, o ataque da cavalaria contra os bolcheviques ou a maneira que os flocos de neve se transformam em flores, e uma flor se transmuta no rosto de Lara.

Dr. Jivago (Omar Sharif) é um humanista e um intelectual, um homem das artes e da medicina como Tchekov - ele nos conta uma história diferente da que nos mostram os livros: cheia de sentimentos pessoais de indivíduos comuns que amam e sofrem em qualquer época, turbulenta ou tranqüila. E nos lembram que o Estado qualquer Estado é formado por pessoas assim.

A narrativa é feita em flashback a partir do general do exército vermelho Yevgraf (Alec Guinness, da série Guerra nas Estrelas e Passagem Para a Índia) que interroga uma jovem (Rita Tushingham) na esperança de resolver um mistério de família: o que teria acontecido com sua sobrinha depois da morte do seu meio irmão, doutor Jivago?

O romance de Pasternak foi aclamado quando de sua publicação, em 1958, como um ousado desafio à censura russa. A política, porém, é apenas pano de fundo como em E o Vento Levou... a ideologia jamais passa para primeiro plano. Na verdade, a história começa na Rússia czarista, passa pela devastação da Primeira Guerra Mundial, o caos da Revolução Bolchevique, a Guerra Civil Russa, os expurgos e crises dos anos 20 e 30.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Tempos Modernos


Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona.
O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
Se inicialmente o lançamento do filme chegou a dar prejuízo, mais tarde tornou-se um clássico na história do cinema. Chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter e na Itália de Mussolini por ser considerado "socialista".
Além da direção, Chaplin é responsável pela produção, pelo roteiro e pela música original, o que faz com sua costumeira habilidade.
O filme apresenta, ainda, uma bela fotografia e interpretações marcantes, com destaques para Chaplin e para a bela Paulette Goddard, na época sua esposa na vida real. Gloria DeHaven, que faz o papel da irmã de Paulette, tinha apenas 11 anos de idade quando da realização do filme.







terça-feira, 20 de novembro de 2007

... E o Vento Levou

Roteirizado por Sidney Howard, a partir do livro de Margareth Mitchel, a produção de David Selznick se tornou o mais popular clássico da história do cinema. Leigh e Gable (Scarlet O'Hara e Rhett Butler) vivem uma violenta paixão em plena Guerra da Secessão americana. O resultado é espetacular: um épico inesquecível que já motivou a publicação de mais de vinte livros.
O filme enfoca as paixões da sulista Scarlett O'Hara (Leigh) pelo aventureiro Rhett Butler (Gable) e pelo pacato Ashley Wilkes (Howard) e seu amor por Tara, a propriedade de sua família, tendo como pano de fundo a Guerra de Secessão norte-americana.
Scarlet é uma personagem bastante complicada, uma vez que em plena época de protagonistas perfeitos, de ideais fortes e ordeiros, ela se apresenta egoísta e determinada a passar por cima de todos para conseguir defender sua terra que tanto ama – Tara. Isso pode soar feminista e irritante para alguns, mas na verdade é justamente aí que está o charme da personagem. Seu modo de lutar, sua força de vontade para trazer o bem aqueles que a rodeiam, sem nunca deixar de pensar na própria felicidade fazem de Scarlet uma personagem complexa e bastante profunda.
Inúmeras cenas marcam esta forte caracterização de Scarlet. Em certo momento, ela chega a matar para impedir que os ianques retirem o pouco que restou de sua casa após o término da guerra. O que não necessariamente corresponde ao final do filme, uma vez que ele procura explorar também as horríveis conseqüências do pós-guerra em cenas chocantes. Outra, por exemplo, pode ser facilmente identificada como quando Scarlet parte em busca do doutor em pleno campo de batalha, para que ele faça o parto em Melanie Wilkes (Olivia de Havilland). A câmera vai se afastando e subindo em um gigantesco traveling para mostrar a dimensão dos mortos e feridos naquela batalha – uma cena fantástica, por sinal, ao combinar perfeitamente o incrível número de figurantes com a avançada técnica de filmagem da época, que só foi possível por causa de um imenso guindaste.
Um filme não se torna um dos mais assistidos de todos os tempos à toa. “...E o Vento Levou” é um épico maravilhoso e inesquecível, que faturou inúmeros prêmios importantíssimos ao longo da história: 10 Oscars, incluindo filme e diretor (um honorário e outro técnico, por isso talvez alguns o considerem vencedor de apenas oito estatuetas); está entre os 10 primeiros na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos; é o filme que mais faturou nas bilheterias, entre outros números importantíssimos. Mas não são os prêmios que fizeram dele um grande filme. Eles foram apenas conseqüências de sua magnitude que reside até hoje nas telas.

Cidadão Kane

Quando dirigiu, produziu, protagonizou e foi co roteirista de Cidadão Kane, Welles tinha 25 anos e conquistara fama no rádio: em 1939 fez história ao transmitir programa que simulava uma invasão dos Estados Unidos por marcianos.
A primeira entrada da reportagem no ar relatou acontecimentos imprecisos que, nos flashes seguintes, foram se tornando cada vez mais claros e ameaçadores; eram entrevistados populares, autoridades, especialistas etc., compondo um quadro cada vez mais assustador. Baseado no livro A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, o show radiofônico criou habilmente a ilusão de veracidade, levando os ouvintes ao pânico.Graças à notoriedade assim conquistada, o diretor novato recebeu da produtora RKO carta branca para dirigir e um orçamento generoso. Confirmando sua índole polêmica, ele fez um filme no qual se identificavam alusões ao magnata das comunicações William Randolph Hearst.
A história conta como o repórter Thompson (Joseph Cotten) reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane (Welles), buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: "rosebud". A morte de Kane comovera a nação e descobrir o porquê daquela palavra se torna uma obsessão para o jornalista, que acredita poder encontrar nela a chave do significado daquela vida atribulada.O repórter entrevista, então, as pessoas próximas ao figurão. Um emaranhado de informações vai se costurando à frente dos olhos do espectador, desde a infância pobre, revelando um Kane por vezes perturbado, mas sempre ambicioso.
Essa multiplicidade de fontes usadas pelo repórter cria um conjunto de perspectivas diferentes, funcionando como peças do quebra-cabeças que os espectadores vão montando. Kane herda uma fortuna e deixa de viver com os pais para ser criado por um banqueiro, Walter Parks Thatcher (George Coulouris). Dentre todos os negócios que passam às suas mãos na maioridade, resolve dedicar se a um dos menos rentáveis: um jornal convencional e pouco influente. Atraindo as estrelas dos veículos concorrentes com salários maiores e praticando um jornalismo agressivo (que freqüentemente descamba para o sensacionalismo), Kane consegue sucesso como homem de mídia, criando uma reputação de campeão dos pobres e oprimidos. Tenta carreira na política, concorrendo a governador como candidato independente; quando parece ter a vitória nas mãos, um escândalo provoca sua derrota. Depois de dois casamentos fracassados, passa seus últimos dias sozinho no palácio que construiu e para o qual levou tudo que o dinheiro podia comprar desde obras de arte de valor inestimável até os animais mais exóticos do planeta.
O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüências sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática; a iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção. Revolucionário. O personagem central vai, aos poucos, perdendo suas virtudes e aumentando seus defeitos. Pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.
O óbvio paralelo de Kane (e seu Inquirer) com Hearst (e seu Exnminer) gerou controvérsias e pressões para impedir a montagem e exibição do filme. As similaridades são muitas: Kane construiu um palácio extravagante na Flórida, Hearst tinha um em San Simeon; o personagem teve um caso com uma cantora sem talento, Susan Alexander (Dorothy Comingore), lembrando o que Hearst teve com a jovem atriz Marion Davies. Enquanto o magnata da vida real comprou o estúdio Cosmopolitan Pictures para promover o estrelato de Davies, Kane comprou para Susan um teatro. Entretanto, enquanto Hearst nasceu rico, Kane era filho de uma família humilde.